Yes

Inglaterra

Titulo: Yes
Ano de Lançamento: 1969
Gênero: Prog Sinf�nico
Gravadora: Atlantic
Número de catálogo: 82680-2
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  Revisto por: Gibran Felippe Nota:8.5

Fant�stico, Vai Rolar Direto No Meu Som

� ineg�vel que, para um disco de estr�ia, estamos diante de um trabalho entusiasmante que possui for�a e j� demonstra a preciosidade dos vocais do ent�o jovem Jon Anderson, bem como talento e for�a para composi��es elaboradas e de porte, vide a est�ria marcante de 'Harold Land' com os dilemas, frustra��es, agonias e �xtase de um soldado diante de sua participa��o numa guerra. Al�m desta, deve-se destacar a maturidade instrumental de 'Survival'.

Mas retornando a 'Harold Land', creio que qualquer cr�tica mais acintosa com respeito a esse disco, de certa forma perde efeito diante do primor dessa m�sica. Existe um casamento perfeito entre letra e instrumental, j� na introdu��o segue-se um dedilhado com batera e hamond marcante t�pico de convoca��o e os vocais iniciais chegam em tom de lamento, j� que o soldado necessita rapidamente dispensar suas despedidas de tudo que ama para ir ao combate. A tens�o musical cresce sobremaneira quando os soldados est�o marchando na chuva, imposta pela linha pesada do baixo de Squire que � definitivamente matador e in�meras quebradas de ritmo de Bruford. Essa tens�o predomina at� o momento de retornar ao lar, onde temos o �pice vocal de Jon Anderson. Numa retomada do movimento inicial, chegamos � rotina do lar do ex-combatente que n�o consegue mais exprimir amor por nada, ap�s tantas marcas recebidas durante a guerra, culminando com a frase emblem�tica 'Theres no heart in Harold Land' e um solo de guitarra sutil de Peter Banks. Se notarmos com minuciosa aten��o, fica percept�vel que estamos diante de uma constru��o com introdu��o, desenvolvimento, cl�max e desfecho conforme a evolu��o instrumental diante das passagens vocais e sinceramente esse tipo de composi��o n�o pode ser considerada um mero acaso ou inspira��o fugaz de rapazes que ainda pretendiam adquirir seu espa�o, representa muito mais, representa a for�a de uma ne�fita banda que seria capaz de criar obras-primas mais adiante, al�m do mais, o Yes exortou seus ouvintes na busca de uma vis�o pacifista de mundo. Talvez o erro de julgamento do p�blico em geral e de alguns cr�ticos mais ferrenhos se deve ao fato de conhecerem o Yes de forma anacr�nica, dos cl�ssicos dos anos setenta para retornar �s obras iniciais, numa situa��o de resgate �s origens da magistral banda que havia produzido obras como 'The Yes Album', 'Fragile' e 'Close To The Edge', criando uma percep��o frustrante com rela��o ao primeiro disco.

A forma��o neste primeiro Yes � Jon Anderson - vocais, Bill Bruford - bateria e percuss�o, Tony Kaye - teclados, Peter Banks - guitarras e Chris Squire - baixo. Como a maior parte das bandas iniciantes, o Yes do fim da d�cada de sessenta costumava executar n�meros de seus �dolos e dois deles podemos encontrar nesse �lbum, o primeiro � 'I See You', vers�o sublime do petardo de CS&N com destaques para o show de categoria da bateria de Bill Bruford, numa levada bem jazz�stica e para a jam session conduzida pela guitarra de Peter Banks em meados da m�sica com diversos improvisos. Esse desenvolvimento diferenciado de temas de outros artistas ficaria marcado pelo Yes, um pouco depois na forma��o mais cl�ssica do grupo com a vers�o deslumbrante de 'America'.

'I See You' apresenta a est�tica que o Yes recria para o flower power, mostrando um leque de varia��es que poucas bandas dos anos sessenta foram capazes de desenvolver. Nesse primeiro disco do Yes temos absolutamente essa mistura entre a sonoridade caracter�stica dos anos sessenta, inclusive com os dois covers j� citados, com sonoridades modernas e evolu�das apontando para possibilidades futuras.

H� de se destacar a qualidade da participa��o de Tony Kaye e a sua substitui��o por Wakeman ap�s o 'The Yes Album' n�o pode apagar de modo algum os belos teclados contidos nessa obra, que por muitas vezes, como nos temas 'Looking Around' e 'Survival', determinam o tratamento progressivo ao disco. O oposto reside justamente em Peter Banks, mesmo mostrando n�tidas qualidades, possui um estilo de guitarra muito usual e comum aos cong�neres dos anos sessenta, n�o trazendo nada de novo e nem propiciando atmosferas ousadas, ou seja, rezando exatamente na cartilha de nomes da �poca como Clapton, Hendrix e Page, a forte diferen�a na sonoridade da banda foi propiciada logo ap�s pela entrada de Howe, que trouxe novo f�lego, audacioso e muito progressivo para o som do grupo, fugindo completamente do lugar comum relativo ao rock convencional.

Essa estr�ia do Yes, se n�o passou despercebida, tamb�m n�o se compara a estr�ias de outras bandas que foram muito mais originais e bomb�sticas no mesmo per�odo, notadamente King Crimson, ELP, Black Sabbath e Gentle Giant, afinal no Yes rolou at� cover dos Beatles, convenhamos algo pouco original e relevante.

Ainda sobre os Beatles, vale ressaltar que no per�odo de lan�amento do 'Yes' os quatro rapazes de Liverpool ainda estavam em plena produ��o e quase todos os grupos iniciantes se espelhavam no sucesso dos Beatles para agradar as gravadoras na obten��o de apelo comercial. Nessa estr�ia do Yes n�o foi diferente e quando os Beatles encerraram suas atividades essas amarras foram soltas e o pouco da maestria instrumental que surgiu nesse primeiro trabalho, diga-se de passagem j� no n�vel dos Beatles, tornou-se abundante logo depois com o 'The Yes Album'.

Um dos momentos mais marcantes do disco est� na introdu��o de 'Survival' com uma estrondosa cozinha levada pelo baixo de Squire e o jogo de pratos perfeitos de Bruford, al�m dos toques incidentais de Tony Kaye assemelhando-se � sonoridade de um leve xilofone, a quebrada segue intensa com belo trabalho de guitarra de Peter Banks, aos poucos essa vibra��o vai diminuindo at� a completa mudan�a de andamento, surgindo o viol�o que faz a base para a entrada gloriosa dos vocais de Jon Anderson, enfim, o primeiro cl�ssico do grupo est� concebido!

Muitos se queixam da falta de atmosfera no som do Yes, principalmente os que curtem um clima mais sombrio a la King Crimson, por�m Squire e cia. sempre optaram, desde esse primeiro disco, por algo mais instrumentalmente mel�dico, com psicodelismo clean e ousadias sonoras mais r�tmicas e menos desvairadas. Aqui temos o in�cio de uma era em que pode ser classificada como a primazia do progressivo sinf�nico ingl�s.